Produtor teme que venda da saca abaixo de R$ 26,00 abale receita. Indústria repassará alta a consumidor. Parece que, finalmente, os arrozeiros chegaram a um acordo sobre a realização dos leilões de estoques públicos. Depois de defenderem os pregões e rechaçarem a sua realização com medo de frear a tendência de alta no preço do grão, os produtores voltaram a admitir que parte dos estoques seja desovada. A possibilidade foi aceita desde que o preço de comercialização cubra o custo mínimo de produção, hoje de R$ 26,00 segundo o Irga. O acerto ocorreu em reunião convocada pelo secretário da Agricultura, João Carlos Machado. O tema ainda será discutido em encontro solicitado pela Conab, nesta quarta-feira, na Capital. Conforme o presidente do Irga, Maurício Fischer, seria necessário definir lotes não muito grandes para a oferta (50 mil toneladas). O setor também pede que sejam feitas reavaliações a cada pregão. 'Como temos a colheita próxima, isso tem que ser muito bem avaliado', explica. O presidente da Federarroz, Renato Rocha, argumenta que o temor dos orizicultores é que o mercado deprima a cotação, a exemplo do que ocorreu no ano passado. 'Quando começaram os leilões de arroz da Conab, na entressafra, a saca estava R$ 25,00. Depois, quando entrou a colheita 2006/07, foi para R$ 19,00', exemplifica. A indústria não se recusa a pagar R$ 26,00 pelo grão, mas repassará o aumento aos consumidores. 'Não temos condições de absorver isso', contrapõe o presidente do Sindarroz, Élio Coradini. No fechamento da semana passada, a saca de arroz tipo 1 chegou a R$ 25,51 conforme índice apurado pela Esalq. O patamar foi atingido nos dois últimos leilões de estoque do Irga. De acordo com o diretor comercial do instituto, Rubens Silveira, o mecanismo deu um 'norte' para o mercado. 'A Conab não vai poder ofertar arroz por menos do que isso', ressalta. Conforme o diretor de Logística da Conab, Sílvio Porto, os leilões, normalmente, são balizados pelos preços de mercado. 'Mas podemos, também, definir um patamar', frisa. Contudo, o dirigente da companhia enfatiza que não há decisão prévia. 'Primeiro, é preciso verificar a real necessidade da venda de estoque', salienta Porto. Segundo ele, caso não haja acordo em Porto Alegre, o assunto será decidido em Brasília, na quinta-feira.