‘O uso indiscriminado de inseticida está levando ao aparecimento de alguns insetos e ácaros, que até então não se constituiam como praga’’, denuncia Lauro Morales. Muitas dessas pragas, segundo o técnico, eram controladas por inimigos naturais que foram eliminados pelas aplicações desnecessárias e o uso de produtos não seletivos. O técnico cita outras largatas de difícil controle, como, a falsa-medideira. O baculovírus na década de 1980, chegou a representar 27% de todas as aplicações feitas no Paraná, hoje representa menos de 1%. O baculovírus era retirado de largatas contaminadas coletadas na lavoura. O próprio produtor preparava o inseticida natrual triturando as lagartas, cuja mistura dissolvida em água era pulverizada na lavoura contaminando outros insetos da mesma espécie. O controle biológico se mostrou eficiente para produção agrícola em grande escala. O uso excessivo de agrotóxicos tem também tornado os insetos mais resistentes a estes produtos, como é o caso do percevejo verde, percevejo marron, ácaros (vermelho, rajado). ‘‘Supomos que há outras espécies ocorrendo’’, alerta o coordenador do MIP-PR. Morales cita ainda a mudança de hábito de alguns insetos, como a largata do cartucho do milho que passou a comer soja. O mesmo ocorre com outras pragas como as largatas da maça, do algodão, até mesmo a largata preta. ‘‘Era a coisa mais difícil do mundo achar estas largatas fazendo isso’’, declara. Morales informa que o Paraguai está com problemas tão sérios ou mais graves do que os do Paraná, em relação a largata preta. O técnico da Emater pondera que o veneno agrícola é necessário, até pelos 4 milhões de hectares de soja plantados em todo o estado. O que é preciso, segundo ele, é racionalizar o uso, fazer o manejo do solo e rotacionar as culturas, além de reaver todo conhecimento adquirido de métodos alternativos, sustentáveis, portanto, para combater as pragas e as doenças na lavoura. ‘‘Isso vai diminuir a incidência de praga e doenças’’, conclui.