Os danos ficaram, de acordo com a Emater/RS-Ascar, limitados à inundação de áreas baixas mais próximas a cursos d'água e a eventuais problemas de erosão em áreas onde o solo se encontrava descoberto. Em determinados momentos, o pastoreio direto em pastagens cultivadas foi suspenso devido ao encharcamento do solo, assim como o preparo das áreas que, em breve, receberão as primeiras sementes da safra 2008/2009. De maneira paulatina, as primeiras sementes da safra 2008/09 começam a ser lançadas no solo. Assim como em anos anteriores, o feijão e o milho são as culturas que iniciam o processo de plantio, principalmente nos microclimas mais quentes das Missões e do Alto e Médio Uruguai. Considerando as últimas cinco safras, nesta época o Estado já teria cultivado, em média, cerca de 10% da área de feijão e 12% da área de milho, o que corresponderia, de forma aproximada, a 12 mil ha e 160 mil ha, respectivamente. Atualmente, as informações recebidas pelo Sistema de Levantamento Sobre Intenção de Plantio, realizado pela Emater/RS-Ascar, ainda são insuficientes para determinar o tamanho da área a ser ocupada nesta safra. Todavia, esses primeiros números indicam que a safra 2008/09 não deverá ser muito diferente, em área, de anos anteriores. Isso porque, a área total utilizada com os principais grãos nos últimos anos não tem se alterado muito. Neste ano, pelo aumento vertiginoso do preço de alguns insumos (em especial fertilizantes), há uma leve tendência ao aumento na área a ser semeada com soja, em detrimento do milho, cultura esta que demanda, em tese, quantidade maior desses insumos para obtenção de rendimentos maiores. O arroz irrigado não deverá alterar sua área, mantendo cerca de um milhão de hectares cultivados normalmente quando não há problemas com a água armazenada para a irrigação, o que ocorre no momento. O feijão é a cultura que pode talvez esperar-se o maior diferencial em termos de aumento de área, tendo em vista sua atual valorização em relação ao ano passado. A Emater destaca que, apesar dos bons preços alcançados por todos os grãos, as incertezas quanto ao real valor do produto, quando da colheita, é outro fator que poderá limitar aumentos maiores em área. Alguns produtores temem "fazer uma lavoura cara e vendê-la barata". Em termos de rendimentos, função altamente dependente do clima, a safra não deverá ter maiores problemas, uma vez que, segundo a meteorologia, os próximos períodos não deverão sofrer grandes influências de fenômenos climáticos, como El Niño ou La Niña, o que aponta a possibilidade de o Estado colher uma safra acima das 20 milhões de toneladas com essas commodities. Levantamento sobre a Intenção de Plantio deverá ser concluído dentro de alguns dias, quando então poderemos ter uma noção mais exata do tamanho da área a ser ocupada com cada cultura na safra 2009. Quanto ao acompanhamento das condições das lavouras e as produtividades esperadas, este deverá se iniciar a partir da primeira quinzena de setembro.