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Trigo - Umidade coloca em risco a safra de trigo do Rio Grande
Data: 11/11/2008
 
Os reflexos do grande volume de chuva verificado no mês passado ainda estão sendo vistos nas lavouras gaúchas. Dentre os que sofreram mais com o excesso de umidade estão os produtores de trigo, sobretudo os da região de Ijuí e Passo Fundo. No Vale do Rio Pardo também há problemas, embora a cultura seja pouco representativa no meio agrícola.
Como a colheita atrasou, o rendimento do cereal está ameaçado. A Emater/RS-Ascar já começa inclusive a rever a projeção de produtividade, que pode ficar 15% menor este ano. Isso, no entanto, não deve colocar em risco a oferta, pois cerca de 50% da produção gaúcha é exportada. O consumo médio anual do Estado é de 900 mil toneladas e a safra gaúcha projetada para este ano era de 1,8 milhão de toneladas.
O que está preocupando os produtores nesse momento é mesmo o preço. Nas últimas semanas o trigo sofreu significativas desvalorizações - a saca de 60 quilos foi vendida a um valor mínimo de R$ 23,50. Para se ter uma idéia do que isso representa, o governo fixou um preço base em torno dos R$ 28,00. De acordo com gerente-adjunto da Emater de Passo Fundo, Cláudio Dóro, em muitos casos os agricultores gaúchos estão vendendo por menos para cobrir os custos com a lavoura e quitar dívidas.
Outras duas situações estão sendo avaliadas com cautela pelos produtores de trigo. A colheita está atrasada e, segundo levantamentos preliminares, atinge 20% do território previsto no Estado, quando a meta era de que 50% das lavouras já estivessem colhidas nesta época. A outra situação, segundo Dóro, é que a qualidade está menor do que a esperada, o que não atende às exigências dos moinhos. "A pureza do produto pode ser comprometida, colocar em risco a produção de farinha e ainda elevar o preço do pão", alerta.
NO CAMPO
Essa situação vem sendo verificada pelos produtores. Morador de Rincão Del Rey, em Rio Pardo, Olvino Oliveira, 48 anos, deve concluir a colheita dos seus 50 hectares na semana que vem. Até agora ele tem notado que o rendimento não está de acordo com o esperado, mas torce para que os preços aumentem.
Essa situação, segundo ele, se deve às chuvas que atingiram a região no mês passado. Com muita umidade e baixa luminosidade o desenvolvimento da lavoura ficou comprometido. Produtor há 30 anos, Oliveira diz que essa tem sido uma das safras mais delicadas de sua vida. "Com um produto sem boa qualidade os preços devem cair", ressaltou.

Fonte: Gazeta do Sul
 
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