Emater calcula que apenas 1% da área estimada em 3,95 milhões de hectares já foi semeada em 2009/2010
Chuva impediu entrada de máquinas nas lavouras no período tradicional.
Os produtores gaúchos começaram a semear a soja da safra 2009/2010 na última semana, o que configura atraso em relação à média para o período. Com as chuvas intensas que impediram a entrada das máquinas para dessecação de áreas cobertas, especialmente com aveia, durante este mês, o plantio não chega a 1% dos 3,95 milhões de hectares estimados pela Emater. De acordo com o técnico da área de planejamento da Emater RenaCorá de Lima, o cultivo já deveria ter chegado a 7% nesta época do ano. Contudo, o atraso está longe de representar problema para a safra, já que a lavoura, caracterizada pelo emprego de alta tecnologia, possui capacidade de rápida recuperação da defasagem.
A primeira estimativa da empresa de assistência técnica e extensão rural aponta produção de 8,39 milhões de toneladas, crescimento de 6,10% em relação à colheita anterior no Estado. Além do incremento de 3,23% na área, a projeção considera produtividade de 2.128 toneladas por hectare, o que representa aumento de 2,74%. Para Lima, apenas no próximo levantamento, em dezembro, haverá informações mais concretas a respeito da decisão do produtor. "A primeira estimativa é sempre conservadora, baseada na média dos últimos dez anos. Por isso, há tendência de crescimento maior", explica.
A arrancada no campo está cercada de cautela em relação ao preço. Se, por um lado, as previsões climáticas são favoráveis, por outro, a flutuação do dólar, balizador do mercado, preocupa. "Corremos o risco de termos preços mais baixos do que o esperado", diz o presidente da Comissão de Grãos da Farsul, Jorge Rodrigues. Ele acrescenta que o planejamento da safra foi baseado na perspectiva de obtenção de R$ 40,00 pela saca e que um cenário diferente disso irá impactar negativamente a receita do produtor.
Na semana passada, a cotação da oleaginosa oscilou entre R$ 39,00 e R$ 40,00 no Interior do Rio Grande do Sul. A inquietação sobe a partir de março, com o início da venda da safra da soja.