Coordenadores da Adagri nos escritórios do Sertão Central estão mobilizados para conter casos de raiva na região
Banabuiú. Técnicos da Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) detectaram casos de raiva animal em bovinos no Sertão Central. Sete garrotes já foram sacrificados. O último deles recebeu dosagem letal de cloreto de potássio na última quarta-feira. Os animais eram criados na Fazenda Jardim, na zona rural de Banabuiú, a 27km da sede deste município. Os bovinos foram contaminados por morcegos herbívoros. Por enquanto, a situação está sob controle, mas o estado é de alerta.
Em conjunto com a coordenadora regional da Adagri, médica veterinária Patrícia Gomes de Matos, os coordenadores das unidades da Agência de Quixeramobim, Quixadá e Canindé trabalham no sentido de manter a doença sob controle. Animais e moradores estão sendo imunizados. A ação deve atingir um raio de 12km, estimado como área de risco. Os rebanhos da região estão sendo monitorados. A qualquer sinal de paralisia e mugido estranho a Adagri deve ser acionada. Segundo a coordenadora regional, os animais foram contaminados porque não haviam sido vacinados contra o vírus rábico. Embora os morcegos encontrados naquela localidade se alimentem de pequenos frutos, a contaminação pode ocorrer através da mordedura. Foi o que aconteceu. O processo também pode incidir por meio do contato fluido corporal. Dessa mesma forma pode passar para outros animais, principalmente cães e humanos. "Como não existe cura, a melhor maneira é prevenir com vacina", alerta a especialista.
No caso dos animais contaminados não existe outra alternativa: sacrifício e incineração. Enterrar o resto das carcaças também é importante. Para evitar a morte de mais animais e riscos para os moradores e vizinhança, a equipe regional da Adagri pretende capturar os transmissores da doença.
Casa dos morcegos
O kit especial está seguindo de Tauá para Quixeramobim, onde funciona o escritório responsável pela atenção à sanidade animal e vegetal na região. A operação deve ser realizada no início da próxima semana.
O foco do problema é um imóvel abandonado, situado na própria fazenda. De acordo com o proprietário, Francisco Manoel Ferreira, conhecida como "Manelzinho", os morcegos utilizam o antigo casarão, a poucos metros do curral, como abrigo, faz mais de duas décadas. Ele disse que alguns anos atrás um especialista examinou os mamíferos voadores, que foram considerados inofensivos. "Até auxiliam no reflorestamento. Mas agora a preocupação chegou", confessa o pecuarista.
Ao perceber o comportamento estranho de alguns garrotes, ele logo informou à Adagri. Ele possui um rebanho superior a 80 cabeças. Orientado, espera não ter mais problemas. Mesmo assim, após a utilização de anestésico e dosagem letal no último animal contaminado, os técnicos colheram amostra do cerebelo e enviaram para análise laboratorial. A situação ainda é de alerta. No gado, a doença pode se manifestar em seis meses. Nos humanos, de 20 a 60 dias e nos cães e gatos a média é de 10 dias. De acordo com Patrícia Gomes, a Agência ainda não dispõe de dados acerca de casos de raiva animal na região.
PREVENÇÃO
"Não há como erradicar a raiva. Para evitá-la é preciso prevenir. A melhor maneira é a vacinação" Patrícia Gomes de matos Coordenadora regional da Adagri
MAIS INFORMAÇÕES: Agência de Defesa Agropecuária do Estado do Ceará (Adagri) Unidade Regional de Quixadá (88) 3412.1177