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Boi Gordo - Referência pode disciplinar as negociações de compra e venda de carne bovina
Data: 26/01/2010
 
Os criadores de gado do Paraná reclamam que não há negociação de preços junto aos frigoríficos. “Somos simplesmente tomadores de preços, ficamos sem voz”, critica o criador de nelore Bernardo Santini, que possui gado no Noroeste. Ele relata que, sem poder de barganha, não tem ânimo para acompanhar diariamente as cotações. “E a briga vai além disso, começa na balança”.

O presidente do Sindicarne do Paraná e presidente-executivo da Associação Brasileira de Frigoríficos, Péricles Salazar, afirma que os compradores também têm suas reclamações. “Dizem que os pecuaristas dão sal para os bois para que eles fiquem com sede, tomem água e pesem mais antes do abate”. Em sua avaliação, esses casos se diluem no todo e a estrutura de negociação é que determina a rentabilidade de cada elo da cadeia da carne.

“Os preços se formam entre os frigoríficos e os distribuidores. Se o frigorífico recebe mais, tende a pagar mais ao fornecedor. Se a demanda aumenta, os frigoríficos podem conseguir melhores cotações.” Por outro lado, considera que nem sempre os preços pagos ao produtor refletem a realidade do mercado. O mais importante, observa, é garantir demanda para os produtos de qualidade.

As discussões e trocas de acusações entre produtores, intermediários e a indústria da carne bovina mostram que o setor está bem menos organizado que a avicultura e a suinocultura, dizem os especialistas ouvidos pelo Caminhos do Campo. Eles destacam que a estruturação depende de iniciativas como a da UFPR e pode levar mais de uma década.

Citam como exemplo de importância da pesquisa o caso do Conseleite, em que especialistas da UFPR ajudam a elaborar índices de preços divulgados com a chancela de produtores e indústrias. O conselho tem representantes de ambos os lados. Foi criado numa época em que produtores estavam jogando leite fora para não vender a preços baixos e agora formula índice que serve de referência para a livre negociação. Pela confiança que conquistou, o índice influi nos preços pagos ao produtor e nos valores finais dos derivados de leite, nos supermercados.

Estima-se que 30% do rebanho bovino paranaense, de quase 10 milhões de cabeças, seja de gado de leite e 70% de corte.


Fonte: Gazeta do Povo
 
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