Mato Grosso recebeu apoio para comercializar 7 milhões de toneladas do grão em 2009
Apesar de o governo federal ter apoiado financeiramente o escoamento de 6,94 milhões de toneladas de milho do Mato Grosso em 2009, os agricultores e traders ainda esperam poder contar com mais um leilão de apoio à comercialização do grão antes que a safra da soja ganhe ritmo. A colheita da soja totaliza cerca de 5% da área plantada no estado, mas ela avança rápido até o fim de fevereiro, quando metade da soja do estado deverá ter deixado as lavouras em direção aos armazéns.
Nos leilões de escoamento, o governo paga um prêmio sobre o preço de mercado para apoiar a venda dos grãos. O comprador desembolsa o preço de mercado e o governo paga a diferença para o preço mínimo estabelecido por lei, que garante a remuneração do agricultor e o incentiva a escoar sua produção.
Mas ainda há algo entre 1 e 1,2 milhão de toneladas de milho de safras passadas que ainda não foram comercializadas no Mato Grosso. "Estamos conversando com o governo para que haja pelo menos mais um leilão de milho nesta ou na próxima semana", diz o agricultor Neri Geller, de Lucas do Rio Verde.
Já a Secretaria de Política Agrícola (SPA) do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento informou, por meio de sua assessoria de imprensa, que não há planos de novos leilões de milho antes da próxima safrinha, no segundo semestre.
Demora
Para os agricultores, o problema de falta de espaço para o milho safrinha de 2009 não está relacionado apenas ao clima excepcionalmente bom, que ampliou a produção. "É preciso que os leilões sejam mais eficientes, porque em 2009 a safra de milho estava chegando aos armazéns e não havia formas de escoar o produto", diz o gerente técnico da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso (Famato), Thiago Mattosinho.
De acordo com dados da SPA, o governo federal gastou R$ 1,5 bilhão em 2009 para apoiar o escoamento do milho no país, sendo mais da metade do montante, R$ 789 milhões, apenas no Mato Grosso. Além da questão da demora no início dos leilões de milho, o analista Rodrigo Nunes, da AgRural, alerta para o problema dos 2,4 milhões de toneladas de milho que foram adquiridos ou tiveram o escoamento apoiado pelo governo federal, mas que ainda não saíram do estado. L.S.
ENTENDA O APOIO
● Ao invés de apenas comprar grãos para apoiar o mercado, o governo também paga prêmios sobre o preço de mercado.
● Nos chamados leilões de escoamento, o governo junta comprador e vendedor e paga ao segundo apenas um prêmio.
● Esse prêmio estimula o agricultor a comercializar sua produção, o que acaba liberando espaço nos armazéns.