No Rio Grande do Sul e Paraná, perdas na qualidade dos grãos e preços baixos preocupam produtores
Luís Eduardo Leal - O Estado de S.Paulo
Se no ano passado foi a seca, este ano é o excesso de chuvas que coloca em dúvida a produtividade das lavouras de feijão no Sul do País. A Secretaria de Agricultura do Paraná, Estado que lidera a produção, deve fechar nesta semana o 6º levantamento da primeira safra de 2009/2010. No anterior, a previsão era de uma produção de 523 mil toneladas na primeira safra, 24% maior que a de 2008/2009, quando a estiagem reduziu a colheita.
Mais que possíveis perdas em volume, é a qualidade do grão que preocupa os produtores no Paraná e Rio Grande do Sul. "O excesso de chuvas na fase atual não só prejudica a qualidade do grão como dificulta a entrada das máquinas para a colheita", diz o engenheiro agrônomo Carlos Alberto Salvador, da Secretaria de Agricultura do Paraná.
No Paraná, que responde por 21% da safra nacional, 51% da primeira safra já foi colhida e 66% estão em maturação. Os preços baixos levaram os produtores paranaenses a reduzir em 12% a área plantada nesta safra.
Segundo a Emater-RS, a saca de 60 quilos de feijão preto é negociada a R$ 60,09, bem abaixo da média dos últimos cinco anos (R$ 83) e dos R$ 134,51 verificados em janeiro de 2009, época em que a redução da área plantada e a quebra de produção impulsionavam os preços. "O produtor que puder estocar deve aguardar um melhor momento para vender", diz o agrônomo da Emater-RS, Dulphe Pinheiro Machado Neto.